DECISÕES DO CAMPO
Sustentabilidade gera produtividade.
Solo, retorno e a coragem de rever as próprias convicções: a visão de Giuliano Beggio Francischini sobre gestão no agro.

“Quebrar o próprio paradigma.” É assim que Giuliano Beggio Francischini descreve uma mudança importante em sua maneira de olhar para o campo. Ao explicar essa visão, reúne três questões: observar a microbiota do solo, avaliar o retorno sobre o investimento e compreender que a sustentabilidade começa no pilar financeiro.
Sua síntese — “sustentabilidade gera produtividade” — abre uma discussão sobre critérios de gestão. Quais práticas merecem investimento? Como acompanhar seus efeitos? E como distinguir aumento de produção de melhora efetiva do negócio?
O solo no centro da decisão.
Na visão de Giuliano, olhar para a microbiota significa ampliar a atenção dada à vida do solo. Esse interesse precisa se traduzir em perguntas concretas sobre a operação: o que está sendo observado, como a condição do solo é acompanhada e quais evidências orientam uma mudança de manejo.
Rever um paradigma exige disposição para testar uma hipótese e também para revisar a decisão quando os resultados não correspondem ao esperado. Observação, acompanhamento técnico e registros de campo dão conteúdo a esse processo.
Viabilidade para continuar.
Ao colocar o pilar financeiro como ponto de partida, Giuliano destaca a necessidade de sustentar as iniciativas ao longo do tempo. O investimento precisa caber na realidade do negócio e ter critérios de avaliação.
O retorno sobre o investimento, ou ROI, faz parte desse olhar. A análise pede clareza sobre o valor investido, os benefícios considerados e o prazo observado. Produzir mais e melhorar a margem são perguntas distintas; ambas precisam entrar na conversa.
É essa relação entre decisão, custo, prazo e resultado que conecta a proposta de sustentabilidade à gestão cotidiana da propriedade.
Cinco safras, uma evolução registrada.
A apresentação institucional da Beggio Lorenzo informa uma sequência crescente de produtividade de cana: 84,80 t/ha em 2022; 93,21 em 2023; 114,53 em 2024; 125,42 em 2025; e 129,15 em 2026. A variação entre o primeiro e o último valor é de aproximadamente 52,3%.
Essa série registra a evolução apresentada pela empresa. Isoladamente, não determina a contribuição de cada prática nem demonstra rentabilidade. Seu valor está também nas perguntas que permite fazer sobre as decisões, as condições de cada safra e os resultados alcançados.
Entenda os indicadores TCH, TAH e ATR e consulte a série apresentada.
Uma liderança disposta a aprender.
A conexão proposta por Giuliano entre solo, produtividade e retorno financeiro exige uma liderança capaz de revisar as próprias convicções. Compartilhar essa experiência significa tornar claros os critérios das escolhas, os limites das evidências e os aprendizados do caminho.
“Sustentabilidade gera produtividade” expressa sua visão de gestão: aproximar o cuidado com a terra das condições que permitem ao negócio permanecer e evoluir.